deus, sei bem que um dia você existiu. fez a mim, fez de mim um filho que nasceu prematuro. confuso entre as idéias e caminhos que me propôs. decerto me quis incerto desde o princípio. duvidando das fotografias que surgiam pelas minhas retinas eu me lia assim: um alguém perdido no labirinto das possibilidades.
se não fosse por você eu não estaria aqui, deitado na cama a refletir e a chegar às conclusões que de fato vou rever amanhã. você existiu. eu sou a prova disso. ela também. ele também. todo o resto.
mas deixou de existir assim que optou por me conceder o livre arbítrio. você deixou de existir, deus. abriu os caminhos e morreu sem me indicar qual seguir. levantou as questões e foi embora sem respondê-las. esse papel agora cabe a mim, a ela e ele. você morreu, deus.
e não deixou sequer uma pista de como sair dessa vida com a certeza de que fiz tudo que estava ao meu alcance. que merda é essa de que posso escolher tudo que há de pior? que merda é essa? se era para ser assim, pela metade, por que me fez?
segunda-feira, 13 de julho de 2009
sábado, 11 de julho de 2009
quarta-feira, 8 de julho de 2009
carta extraviada
"assim que você puder fala só comigo. deixa as preocupações em casa e me dirige as atenções com exclusividade. guarda a mochila lá do lado de dentro e vem me ver sem culpa. avisa à sua mãe que vai chegar mais tarde, bem mais tarde que o mais tarde que ela está acostumada. diz ao seu pai que está indo morar comigo numa casinha no humaitá. eu já resolvi o que tinha para resolver, sei que às vezes te confundo com essa indecisão que transborda nas minhas palavras. mas isso agora passou. quero que esqueça nossa trilha sonora para que possamos construir outra sem lembrar daqueles maus momentos. pode comprar novos lençóis para marcarmos em lugares diferentes. agora eu sou sua mulher mesmo que você não queira mais. pode ser que seja tarde demais para para pegarmos o último trem, mas me sinto disposta para esperar o primeiro de amanhã. espero que receba bem essas letras que há tanto gostariam de preencher sua vida, é que de mim só transborda o que que há de pior, o melhor eu guardei para usarmos juntos no humaitá.
beijos com a saliva mais arrependida que já beijou a sua boca!"
beijos com a saliva mais arrependida que já beijou a sua boca!"
terça-feira, 7 de julho de 2009
naquele, nesse e no outro
que graça que ela tem! moça bonita, tímida e educada. sem querer brinca com os cachos e passos de mistério. suas escolhas de palavras doces brindam no desespero. na ausência mais presente que se pode enxergar. ela refaz as cores, tira do preto o amargo, do branco a monotonia. linda nas roupas e nos gestos. nos olhares e nos excessos.
ela nega como espanta-se a dor. foi posta por Arriaga na minha vida.
mal sabe o quanto é flor, apesar dos espinhos. mal sabe ela, a moça que provoca o sorriso. que provocou naquele, nesse, e no outro tempo que ainda não fomos fortes para viver.
que venha com ela Iñarritu para nos dirigir. no amargo e no branco. nas cores e nos cachos.
ela nega como espanta-se a dor. foi posta por Arriaga na minha vida.
mal sabe o quanto é flor, apesar dos espinhos. mal sabe ela, a moça que provoca o sorriso. que provocou naquele, nesse, e no outro tempo que ainda não fomos fortes para viver.
que venha com ela Iñarritu para nos dirigir. no amargo e no branco. nas cores e nos cachos.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
se ela tivesse aquela roupa ainda. se estivesse naquele ponto ainda. minha vida poderia ser um eterno ainda. mas não. não agora. não mais. tudo se dá e se vive sem que paremos para notar. o tempo é bruto e as mudanças são líquidas.
as novas belezas e texturas ainda brilham pouco se comparadas ao que antes havia.
os novos traços intrigam e satisfazem muito se comparados ao que antes se perdia.
as novas belezas e texturas ainda brilham pouco se comparadas ao que antes havia.
os novos traços intrigam e satisfazem muito se comparados ao que antes se perdia.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
você me parece diferente à cada dia. nunca tinha reparado, mas até que você sabe ser gentil. à sua maneira, mas sabe. seus traços começam agora a rimar com meus sonhos. você tá tão bonito. faz tempo que nos vemos diariamente, e suas roupas nunca te serviram tão bem. suas palavras nunca me fizeram refletir antes do sono. parece que você escolhe aleatoriamente seus objetos de desejo. parece que você me escolheu dessa vez. logo eu que achava não chamar atenção. eu que nunca falava alto, nem pedia a palavra.
você sempre falou sem preocupar-se com o eco. logo agora quer ecoar em mim? nos meus anseios? você sabe sempre o que as pessoas querem ouvir, e mesmo assim nunca diz. é pra valorizar cada fonema? cada palavra?
porque se for por isso conseguiu. tudo que você premeditadamente escolhe me dizer ganha ressonância antes do meu sono. eu sorrio sozinha pra você. não posso sorrir na sua frente. não posso te dar esse gosto. senão você vai esquecer do meu sorriso e tentar arrancar o do lado.
sempre foi assim, mas comigo não. comigo não. enquanto puder, vou fingir não entender os elogios e piadas. vou guardar os dentes pra sorrir toda noite. até o dia que eu não resistir e te der mais esse prazer. mais um. um caro, mas apenas mais um.
você sempre falou sem preocupar-se com o eco. logo agora quer ecoar em mim? nos meus anseios? você sabe sempre o que as pessoas querem ouvir, e mesmo assim nunca diz. é pra valorizar cada fonema? cada palavra?
porque se for por isso conseguiu. tudo que você premeditadamente escolhe me dizer ganha ressonância antes do meu sono. eu sorrio sozinha pra você. não posso sorrir na sua frente. não posso te dar esse gosto. senão você vai esquecer do meu sorriso e tentar arrancar o do lado.
sempre foi assim, mas comigo não. comigo não. enquanto puder, vou fingir não entender os elogios e piadas. vou guardar os dentes pra sorrir toda noite. até o dia que eu não resistir e te der mais esse prazer. mais um. um caro, mas apenas mais um.
um dia
hoje nós vamos sair. telefones desligados para que o mundo não nos encontre. coloca aquela roupa pra mim. vista-se de mim. de nós. vamos ouvir a música que eu escolher, no lugar que eu quiser. hoje é meu dia, meu amor. hoje é o meu dia. vamos ficar acordados à noite inteira. discutindo literatura e música. fumando marlboro azul. tomando mate ou uísque. vamos assistir futebol amanhã; vamos à livraria depois. hoje é o meu dia. amanhã também. depois também. todos os dias contigo serão meus dias. vamos tomar café, levantar, almoçar fora, vamos nos apaixonar em cada minuto de cada dia meu.
coloca os óculos que eu te dei. pára de olhar pro lado, pra trás, pra frente. olha pra mim. pra mim. porque hoje é o meu dia. entra no carro e deixa a música no meu volume. diz que me ama sem penas. só hoje. diz que não quer tirar os óculos nem ligar o telefone. diz que quer que as provas se fodam. que provas só se forem de amor. diz sim pra tudo. pra mim.
dorme comigo, mora comigo, casa comigo, xinga comigo, ama comigo. só hoje. porque hoje é meu dia.
elege um dia pra mim. um por semana, por mês, por década. um dia meu. um dia seu. um dia seu pra mim.
por favor.
coloca os óculos que eu te dei. pára de olhar pro lado, pra trás, pra frente. olha pra mim. pra mim. porque hoje é o meu dia. entra no carro e deixa a música no meu volume. diz que me ama sem penas. só hoje. diz que não quer tirar os óculos nem ligar o telefone. diz que quer que as provas se fodam. que provas só se forem de amor. diz sim pra tudo. pra mim.
dorme comigo, mora comigo, casa comigo, xinga comigo, ama comigo. só hoje. porque hoje é meu dia.
elege um dia pra mim. um por semana, por mês, por década. um dia meu. um dia seu. um dia seu pra mim.
por favor.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
carta para um amigo bem próximo
você sempre foi de todos nós o mais natural. surpreende a todos com as frases e gestos que variam entre a teimosia e a convicção. por vezes está errado. sabe disso e continua a afirmar. basta, a conversa é prolongada pelos argumentos mais imbecis que podem ser proferidos.
você sempre teve o raciocínio mais crítico. ponderado, é verdade. mas justo. esfrega na cara de todos como é simples ser feliz. sofre. sofre mesmo. tem dúvidas, receios, frustrações. mas nada que lhe tire o sorriso. nada que o faça deixar de ser o porto.
você sempre foi o professor. apesar de comportar-se como aluno. ouvindo. ouvindo. nunca falando. não é bom com as palavras. e é melhor que saiba disso o quanto antes. pedro, você é muito melhor fazendo que falando.
você sempre teve o raciocínio mais crítico. ponderado, é verdade. mas justo. esfrega na cara de todos como é simples ser feliz. sofre. sofre mesmo. tem dúvidas, receios, frustrações. mas nada que lhe tire o sorriso. nada que o faça deixar de ser o porto.
você sempre foi o professor. apesar de comportar-se como aluno. ouvindo. ouvindo. nunca falando. não é bom com as palavras. e é melhor que saiba disso o quanto antes. pedro, você é muito melhor fazendo que falando.
terça-feira, 23 de junho de 2009
sobre um fim
o mau humor é crônico. o mundo parece parado até que tudo se resolva. talvez eu tenha perdido a parte mais bonita que havia em mim. a parte pura de confiança e vontade. aquele coração que eu estava achando dentro do meu coração.
as palavras não refletem mais nada, mais ninguém. o silêncio e os olhares gritam frases em preto e branco. o mundo desmorona e eu não vejo. olhos fechados para o perdão. porque não foi traição, não foi. foi mais. foi a demonstração de que nada vale à pena. que é melhor tudo dispensar, porque nada compensa.
ter ciúmes é a demonstração mais egoísta de amor.
as palavras não refletem mais nada, mais ninguém. o silêncio e os olhares gritam frases em preto e branco. o mundo desmorona e eu não vejo. olhos fechados para o perdão. porque não foi traição, não foi. foi mais. foi a demonstração de que nada vale à pena. que é melhor tudo dispensar, porque nada compensa.
ter ciúmes é a demonstração mais egoísta de amor.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
forte é aquele que tem no coração um outro coração e uma outra cabeça; que pode amar dentro do amor e pensar simplesmente com ele. queria sê-lo e tento a cada minuto me provar que posso. que tudo compensa quando nada dispensa. que a vida é mais bela e intrigante quando se é e pronto. quando a cabeça se encarrega da burocracia já gasta do dia-a-dia, e libera o coração e seu coração e sua cabeça para amar e deixar ser amado.
e que quando for amado com pudores prove que tal amor não basta. que nada basta se não houver entrega total. que, quando for rejeitado pela razão, diga a ela que a detesta. que ela corrompe o que há de mais puro e irreversível. porque o amor é irreversível. finito, mas sem volta. que quando estiver a ponto de desistir de mais uma última tentativa, lembre que é sempre em uma última tentativa que o acerto acontece. que tudo que prima pela perfeição é uma última tentativa.
e que, quando sentir que não é mais amado, ame mais, pois é melhor amar sozinho que não amar ninguém.
e que quando for amado com pudores prove que tal amor não basta. que nada basta se não houver entrega total. que, quando for rejeitado pela razão, diga a ela que a detesta. que ela corrompe o que há de mais puro e irreversível. porque o amor é irreversível. finito, mas sem volta. que quando estiver a ponto de desistir de mais uma última tentativa, lembre que é sempre em uma última tentativa que o acerto acontece. que tudo que prima pela perfeição é uma última tentativa.
e que, quando sentir que não é mais amado, ame mais, pois é melhor amar sozinho que não amar ninguém.
domingo, 14 de junho de 2009
acabou. o tempo engole o que era mais farto, no tempo. as decisões precisam do imediato. e ele já foi embora com o tempo.
os saudosistas não entendem, mas o tempo foi e vai sempre. dois mil e cinco foi, e mesmo que queiramos sentí-lo em cada vão segundo, ele não vai reaparecer. ele foi vivivo lá mesmo, naquele tempo em que tudo era natural e impaciente. onde aqueles jovens sem preocupações brincavam de ser jovens despreocupados. levavam a brincadeira a sério. discutiam regras e brigavam para seguí-las.
o amor foi descoberto entre uma dose e outra; o gosto amargo do uísque lembrava que tudo era só brincadeira, que não eram tudo aquilo que queriam. era tudo piada bem dita, palavras escolhidas sem rigor. sem culpa, sem medo, sem antes nem depois.
porque o que havia ali ultrapassava o uísque, o dois mil, o cinco, as palavras e o rigor. era a descoberta daquilo que vem a ser chamado de amizade. era amar e ser amado, sem amante sendo amigo.
mas o tempo continua aqui, engolindo tudo. fazendo virar texto o que um dia foi a vida.
os saudosistas não entendem, mas o tempo foi e vai sempre. dois mil e cinco foi, e mesmo que queiramos sentí-lo em cada vão segundo, ele não vai reaparecer. ele foi vivivo lá mesmo, naquele tempo em que tudo era natural e impaciente. onde aqueles jovens sem preocupações brincavam de ser jovens despreocupados. levavam a brincadeira a sério. discutiam regras e brigavam para seguí-las.
o amor foi descoberto entre uma dose e outra; o gosto amargo do uísque lembrava que tudo era só brincadeira, que não eram tudo aquilo que queriam. era tudo piada bem dita, palavras escolhidas sem rigor. sem culpa, sem medo, sem antes nem depois.
porque o que havia ali ultrapassava o uísque, o dois mil, o cinco, as palavras e o rigor. era a descoberta daquilo que vem a ser chamado de amizade. era amar e ser amado, sem amante sendo amigo.
mas o tempo continua aqui, engolindo tudo. fazendo virar texto o que um dia foi a vida.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
passo a passo
pronto. a cabeça tá feita. certa do querer. do poder ou não-poder. não há nada mais sincero que eu possa dizer. me sinto consciente dos erros, dos acertos, dos sentimentos e inquietações. talvez seja tarde. mas não poderia assumir as responsabilidades sem a segurança que hoje flui pelo meu sangue. os meus sonhos hoje casam comigo, com que sempre fui e não deixei de ser. o sorriso parece querer voltar a ser gratuito. as mãos demonstram-se viciadas pelos laços ou nós que não foram desfeitos. nós não fomos desfeitos. ou fomos.
chega de colocar sentido no sentimento. atribuir valores às vontades.
elas são e existem por si, por mim, a sós.
chega de colocar sentido no sentimento. atribuir valores às vontades.
elas são e existem por si, por mim, a sós.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
epitáfio dos vinte
"ele foi um apaixonado. dava a cada minuto cores e texturas próprias. sempre quis estar rodeado de amigos, precisava disso para viver. ainda que esses não fossem aquilo que lhe fazia melhor. só o amor lhe faria melhor. mas ele uma vez disse que não amava as pessoas, que ninguém amava as pessoas, que ele amava os momentos, os detalhes dos momentos e desde o primeiro amor, ele buscava o amor novamente, o momento novamente.
ele foi sincero. discutia consigo mesmo buscando a sinceridade dos gestos e das mentiras. contradizia-se por julgar mais sincera a contradição. a mudança e o atrito sempre tinham a verdade como cenário. alternava o amor e o ódio para fugir do rancor. porque uma vez disse que o rancor é um sentimento falso. e que se é falso não é sentimento. e ele fugia do que não era sentimento.
ele foi um erro. um grande erro que sempre carregou acertos. mas uma vez ele disse que era melhor tentar o acerto o tempo todo transformando-se em um grande erro, que omitir-se da paixão e da sinceridade.
ele era paixão sincera. errada."
ele foi sincero. discutia consigo mesmo buscando a sinceridade dos gestos e das mentiras. contradizia-se por julgar mais sincera a contradição. a mudança e o atrito sempre tinham a verdade como cenário. alternava o amor e o ódio para fugir do rancor. porque uma vez disse que o rancor é um sentimento falso. e que se é falso não é sentimento. e ele fugia do que não era sentimento.
ele foi um erro. um grande erro que sempre carregou acertos. mas uma vez ele disse que era melhor tentar o acerto o tempo todo transformando-se em um grande erro, que omitir-se da paixão e da sinceridade.
ele era paixão sincera. errada."
terça-feira, 2 de junho de 2009
eu por mim
o meu curso é sempre o mesmo, não tem afluentes. é caminho seguido e repetido à exaustão. desde sempre é o exagero consumindo exagero, no pão, no estudo e no amor. minhas dúvidas sempre foram enormes e maniqueístas. a vida me vive. sem que eu sinta. consome até meu último respirar e depois me obriga a seguir, rumo à outra. se tudo parece errado, no trabalho, no estudo e no apartamento, eu prefiro a mudança drástica, sem eleger justificativas. odeio as metas pelo caminho, o importante é o final. os afluentes, repito, não me atraem. eu gosto mesmo é daquela rota que eu já conheço, do pão, do estudo e do amor. do ser diferente ou igual, de ser o maior ou o menor, detesto o mais ou menos, que na verdade representa o ou, o politicamente correto, que representa o ter que. se é politicamente não pode ser correto. se é mais, não pode ser menos.
se eu sou eu, nada posso ser, além de mim.
se eu sou eu, nada posso ser, além de mim.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
jardim de metal
as queixas que esperam promessas matam pouco a pouco aquele que não sabe mais o que prometer. são noites pensando em como agir e sentir, na mais completa solidão. logo ele que agia com tanta objetividade, com tanta clareza de sentido e finalidade. é doce castigo a inquietação, é olhar pela janela com medo de ver que tudo que mais se quer está dentro de casa, guardado no armário cansando de esperar. é o medo de assumir que não é capaz de cuidar de um jardim tão lindo, é o peso que carrega sempre que vê as flores sorrirem, metálicas ou não. queria pedir pra ser cuidado, mas o orgulho não permite; as palavras fogem quando são e quando não são pronunciadas. vão pra longe, pra dentro, pro lado ainda limpo que existe no seu coração. o homem quer sair do castigo, mas tem medo do mundo.
porque só de olhar, sabe que o que parecia castigo é muito mais bonito que o mundo.
porque só de olhar, sabe que o que parecia castigo é muito mais bonito que o mundo.
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