tem uma máscara pendurada na parede da minha sala. o homem que me vendeu disse pra sempre que olhasse pra ela lembrar do dia em que foi comprada.
estava bem frio, rolava uma festa junina caída, um bingo de igreja e tinha também uma enorme fogueira. um filme do spilberg dublado encerrou a noite. tinha tudo para ser péssimo, mas foi ótimo.
hoje, só não me escondo atrás dessa máscara porque sei que se colocá-la no rosto nunca mais poderei olhar pra ela.
terça-feira, 31 de março de 2009
sábado, 28 de março de 2009
se ele tivesse noção do que abdicava ao fumar seu cigarro, depois de desvirar o colchão, largaria o vício. o espaço parecia pequeno demais para o homem que queria engolir o mundo. o tempo escasso para quem queria estar em todos os lugares, com todas as pessoas ao mesmo tempo. nunca soube dividir, sua calculadora só tinha o sinal da soma. acabou que aos poucos foi subtraindo e traindo a todos. estava com um quando queria estar com outro, chegava em casa arrependido de ter estado com quem esteve. naquele estado já não queria estar com mais ninguém. queria apenas ser, sem poréns, sem o detrimento e a escolha. preferia escolher ao acaso, sem fiel, sem balança, sem sinais.
sexta-feira, 27 de março de 2009
e os relógios já não marcavam a mesma hora. o fuso era diferente demais para chegarem aos lugares juntos. quando ele queria, ela estava cansada. quando ela queria, ele já havia desistido. quando ele bebia, ela enjoava. e os horários cada vez ficavam mais distantes, tão distantes que se econtravam de vez em quando. e nesses momentos eles tinham certeza que haviam acertado os ponteiros e que seguiriam sem mais desencontros. estavam errados, mas persistiam porque mesmo vivendo distantes sabiam que uma hora ou outra teriam instantes que os fariam continuar.
nos outros momentos pensavam em desistir, desistiam e tentavam. mas os ponteiros se cruzavam quando eles não queriam, nem adiantava adiantar, o remédio era a espera.
nos outros momentos pensavam em desistir, desistiam e tentavam. mas os ponteiros se cruzavam quando eles não queriam, nem adiantava adiantar, o remédio era a espera.
quinta-feira, 26 de março de 2009
ele dormia e sonhava durante o percurso. pensava que o trem ia parar e que ia descer. faria tudo que quisesse pela estação, e, sem cruzar a roleta, voltaria pra seguir com o próximo trem. não tinha dinheiro para outra passagem.
só que, quando ele saiu do trem, procurou pelo que mais sonhava por toda a estação e viu que brilhava lá fora, pouco depois da roleta. sem nenhum pudor desistiu de pegar o trem e foi buscar o sonho.
hoje, ele tá esperando alguém quantificar o valor do sonho pra que ele possa vendê-lo, porque ele sabe que sem o trem não pode mais sonhar.
só que, quando ele saiu do trem, procurou pelo que mais sonhava por toda a estação e viu que brilhava lá fora, pouco depois da roleta. sem nenhum pudor desistiu de pegar o trem e foi buscar o sonho.
hoje, ele tá esperando alguém quantificar o valor do sonho pra que ele possa vendê-lo, porque ele sabe que sem o trem não pode mais sonhar.
quarta-feira, 25 de março de 2009
porra nenhuma
a verdade é que não lembro de frustrações na minha vida. as coisas acontecem da melhor forma, e sempre foi assim. tudo muito fácil. nenhuma imposição ou restrição. as críticas sempre foram levadas com o bom humor de quem sabe que quem critica não sabe o que diz. os elogios infinitos, e encarados com a consciência de que sempre foram exagerados.
estranha a leitura que me parece tão clara: fui mimado pelo mundo e cansei disso. entrei num conflito que busca a derrota. a derrota sim, porque sempre se busca o que é raro. e eu nunca perdi, nunca mesmo.
necessito dos limites, do fim do egoísmo e da admiração de quem nem sabe quem eu sou. quero ser castrado, definitivamente. preciso sentir dor, de cotovelo, física ou de perdas. quero conhecer isso.
e tenho feito de tudo para alcançá-la. sinto inveja dos que temem e sofrem, porque eles crescem muito mais que eu, parado num falso pedestal.
estranha a leitura que me parece tão clara: fui mimado pelo mundo e cansei disso. entrei num conflito que busca a derrota. a derrota sim, porque sempre se busca o que é raro. e eu nunca perdi, nunca mesmo.
necessito dos limites, do fim do egoísmo e da admiração de quem nem sabe quem eu sou. quero ser castrado, definitivamente. preciso sentir dor, de cotovelo, física ou de perdas. quero conhecer isso.
e tenho feito de tudo para alcançá-la. sinto inveja dos que temem e sofrem, porque eles crescem muito mais que eu, parado num falso pedestal.
terça-feira, 24 de março de 2009
conversa de maluco
- tem certeza disso?
- absoluta.
- toda certeza é absoluta.
- nem toda, a sua não.
- é, mas se é certeza tem que ser absoluta.
- mas no seu caso não.
- então não é certeza.
- é, talvez não seja. mas as certezas sempre me impediram de andar.
- então vai andar.
- mas às vezes é melhor ficar parado que andar pra trás.
- você é louco, esse negócio de frente e trás é sentido de vetor.
- não entendi nada do que você falou.
- te amo.
- também.
- absoluta.
- toda certeza é absoluta.
- nem toda, a sua não.
- é, mas se é certeza tem que ser absoluta.
- mas no seu caso não.
- então não é certeza.
- é, talvez não seja. mas as certezas sempre me impediram de andar.
- então vai andar.
- mas às vezes é melhor ficar parado que andar pra trás.
- você é louco, esse negócio de frente e trás é sentido de vetor.
- não entendi nada do que você falou.
- te amo.
- também.
ele sai com os olhos escorrendo e com o nariz lacrimejando. tudo parece fora do lugar pra alguém que ama com a cabeça e pensa com o coração.
o foco estava perdido e não queriam encontrá-lo. até que um dia, mesmo sem a vontade de ninguém, ele foi se achando, o estrabismo foi-se, sozinho, sem pedir permissão.
e ela, que já desistira de pensar com a cabeça e amar com o coração, foi de encontro ao homem que andava com as mãos e escrevia com os pés.
(pode ser que continue)
o foco estava perdido e não queriam encontrá-lo. até que um dia, mesmo sem a vontade de ninguém, ele foi se achando, o estrabismo foi-se, sozinho, sem pedir permissão.
e ela, que já desistira de pensar com a cabeça e amar com o coração, foi de encontro ao homem que andava com as mãos e escrevia com os pés.
(pode ser que continue)
quinta-feira, 19 de março de 2009
fotografia
era o momento da fotografia,
pra lembrar daquele dia,
do amor que se esvaía,
dos nós que ainda havia.
(e que eu não mais via)
pra lembrar daquele dia,
do amor que se esvaía,
dos nós que ainda havia.
(e que eu não mais via)
quanto mais eu busco as explicações, mais me questiono. a saída é aceitar as conveniências, rebater os achismos e os bodes espiatórios. sem fuga, mas sem procura também.
achei que gradativamente os hábitos se criariam e a esperança fosse embora, mas não. pelo menos ainda não. me sinto num sonho sonhado pela metade, daqueles que você passa o dia inteiro imaginando como terminaria.
terminou. no meio.
achei que gradativamente os hábitos se criariam e a esperança fosse embora, mas não. pelo menos ainda não. me sinto num sonho sonhado pela metade, daqueles que você passa o dia inteiro imaginando como terminaria.
terminou. no meio.
terça-feira, 17 de março de 2009
só pra resumir
Thiago Pontes (Rio, avô, Nathália, assalto, fim. Vassouras, Arco-Íris, C.A, Luisa, geleca na Rachel, xadrez, Sílvio, Gil, Guilherme, Lucas, guitarra, Pedro Henrique, Macaé, fim. Rio das Ostras, depressão, praia, Tíbia, Vassouras, Pedro Fernandes, Raphael Huebra, Glaucineide, Hopi-Hari, Felipe, Raphael Vieira, tenis de mesa, condomínio, férias, praia, monza preto, renaut clio, condomínio, festas, whisky, Pedro Flores, vôlei, cerveja, Júlia. Júlia, festas, meninas, Júlia. Júlia, Zeca Baleiro, Pedro, Camila, Los Hermanos, Felipe, Filipe, Reveillon, Los Hermanos, Morro da Urca, Raphael Nascimento, Sofia, Júlia. Vestibular, Diogenes, Sérgio, Marquinhos, Desirée, Thais, jornalismo, Rio. Júlia, Unirio, Uerj, LV, Gabriel, Guilherme, Manoel, Lucas, Reveillon, carnaval, Júlia, fotos, Júlia. [...])
Daí pra frente eu não sei.
Daí pra frente eu não sei.
segunda-feira, 16 de março de 2009
são muitos os momentos que me fazem sorrir.
pois parece que tudo conspira a favor do choro.
vamos à explicação...
vivo num enorme choro interior, as coisas não acontecem e triste permaneço.
nesse estado de lágrimas, qualquer pequena alegria me leva ao sorriso. são apenas pequenos sorrisos de lado, mas são muitos.
pois parece que tudo conspira a favor do choro.
vamos à explicação...
vivo num enorme choro interior, as coisas não acontecem e triste permaneço.
nesse estado de lágrimas, qualquer pequena alegria me leva ao sorriso. são apenas pequenos sorrisos de lado, mas são muitos.
domingo, 15 de março de 2009
Assinar:
Postagens (Atom)