eu sei que você pediu para que eu não viesse aqui expor nenhuma das nossas conversas. mas eu juro pra você que essa vai ser a última vez. eu sei que você vai ler, tenho certeza que apesar de tudo, você ainda não se livrou do vício de vir aqui.
e é por essa certeza que eu estou aqui, escrevendo sobre nós de novo. não exatamente sobre nós, mas sobre a vida e sobre as escolhas que somos obrigados a fazer para deixá-la seguir. quando decidi por esse caminho eu tinha total percepção de que poderia dar errado, como deu, mas mesmo assim achei que doeria menos. achei errado. me doeu cada minuto, cada olhar, cada lágrima. eu não consegui dormir nenhum dia bem. nunca tinha sentido essas sensações, nunca precisei, nunca havia feito nada parecido antes. e só eu sei como é péssimo. o agora é dolorido, você não querer mais falar comigo, nem atender o telefone, nem andar na mesma calçada que eu. mas pode acreditar que antes eu estava pior, me sentindo uma coisa qualquer que vivia uma vida sem merecimento. agora eu pelo menos tenho a certeza de que vivo o que mereço. o desprezo, a dor. mas não o teatro da felicidade. não isso. não mais. agora eu durmo e acordo certo de que fui eu que me joguei no abismo, vejo responsabilidade nos caminhos que escolhi e compreendo que cada palavrão que você me disse na nossa última conversa é justo.
não tem nada de literatura aqui. não tem estética, nem bordados, são palavras puras, seguidas umas das outras. e formando aquilo que precisava dizer há muito tempo: eu queria que você ainda gostasse de mim, que ainda visse graça nas nossas bobagens e brigas. que ainda ligasse para perguntar onde estou. e sei que tudo isso acabou pra sempre, mas eu queria que você ao menos conseguisse me olhar. você foi a pessoa mais importante que eu conheci ao longo da vida. sem dúvidas a mais perfeita e irretocável, e viver com alguém assim por quatro anos é ser lembrado a cada dia do quanto sou pequeno e pior.
não apague essa vida. beijos.